Balanço divulgado atualmente inclui dados das últimas 24 horas e os números acumulados.

Ministério da Saúde mudou horário de divulgação das informações.

O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta sexta-feira (5) a exclusão, da divulgação diária de mortos pela Covid-19, de mortes que aconteceram nos dias anteriores ao da divulgação. Atualmente, boletins diários divulgados pelo Ministério da Saúde apresentam o número total de pessoas que morreram por causa do novo coronavírus e que a morte pelo vírus foi confirmada nas últimas 24 horas. Com isso, entram na contabilidade de um determinado dia óbitos que ocorreram em datas anteriores.

Se forem apresentados os números de mortos no mesmo dia da divulgação, o número naquele dia será menor. Bolsonaro defendeu a mudança na divulgação ao ser questionado sobre a alteração no horário de divulgação do boletim com casos de infecção e mortes. Bolsonaro utilizou, como exemplo, o boletim divulgado nesta quinta-feira, que apontou 1.473 mortes confirmadas nas últimas 24 horas. “Ontem [quinta-feira], praticamente dois terços dos mortos eram de dias anteriores.

Tem que divulgar o [número] do dia.

O resto, consolida para trás”, afirmou o presidente. Bolsonaro não explicou como deveriam ser computados os óbitos dos dias anteriores ao da divulgação do boletim. Em relação à alteração no horário de divulgação dos boletins, Bolsonaro afirmou que “é para pegar o dado mais consolidado”. Inicialmente, os boletins eram divulgados às 17h.

Depois, passou a ser apresentado às 19h.

Nos últimos dias, a divulgação só tem sido feita às 22h, depois que os telejornais já se encerraram. Jornalismo da Globo Durante a entrevista, Bolsonaro foi questionado se a ordem para a alteração no horário partiu do Planalto.

O presidente, então, respondeu: “Não interessa de quem partiu.

Eu acho que é justo sair o dado consolidado.

Não tem que ninguém correr para atender a Globo”, afirmou o presidente. Sobre o que disse o presidente, a Globo divulgou a seguinte nota: "O público saberá julgar se o governo agia certo antes ou se age certo agora.

Saberá se age por motivação técnica, como alega, ou se age movido por propósitos que não pode confessar mais claramente.

Os espectadores da Globo podem ter certeza de uma coisa: serão informados sobre os números tão logo sejam anunciados porque o jornalismo da Globo corre sempre para atender o seu público". Bolsonaro também disse que falta seriedade na apresentação dos números de mortos feita pela imprensa. “Parece que esse pessoal que faz...

o Globo, Jornal Nacional gosta de dizer que o Brasil é recordista em mortes.

Agora, falta inclusive seriedade.

Bote mortes por milhões de habitantes.

Nem isso faz.

É a mesma coisa que querer comparar mortes no Brasil que tem 210 milhões de habitantes com países que tem 10 milhões”, disse Bolsonaro. Mortes por milhões de habitantes Pela análise do número de mortes por milhões de habitantes, o Brasil também figura entre os países com maiores índices de mortes. Veja a seguir: eino Unido: 598,7 mortes por milhão de habitantes; Espanha: 578,03 mortes por milhão de habitantes; Itália: 558,13 mortes por milhão de habitantes; França: 433 mortes por milhão de habitantes; Estados Unidos: 325,64 mortes por milhão de habitantes; Brasil: 153,88 mortes por milhão de habitantes. OMS Na mesma entrevista, concedida em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez críticas à Organização Mundial da Saúde (OMS). “O Trump [presidente dos Estados Unidos] cortou a grana deles, voltaram atrás em tudo.

E adianto aqui: os Estados Unidos saíram da OMS.

A gente estuda no futuro – ou a OMS trabalha sem o viés ideológico – ou nós vamos estar fora também.

Não precisamos de gente de fora dar palpite na saúde aqui dentro”, disse o presidente. Na sequência, Bolsonaro foi questionado se pretende fazer com que o Brasil deixe a OMS.

Ele afirmou: “É o seguinte: ou a OMS realmente deixa de ser uma organização política, partidária, assim, vamos dizer, até partidária, ou nós estudamos sair de lá”, frisou.